terça-feira, 26 de abril de 2011

A Ressurreição como revelação do Espírito Santo

Na tentativa de adentramos no sentido teológico da revelação do Espírito Santo na Ressurreição do Filho, primeiramente devemos ter em vista a idéia expressa por Lucas em seus escritos, onde somente quando Jesus retorna ao Pai é que recebe o Espírito para infundi-lo na Igreja (At 2,33. 1,4). E, em paralelo, a promessa apresentada em João no instante da despedida do Senhor (Jo 16,7; 14,16; 15,26). Em ambas vertentes teológicas, é expressa que a condição indispensável para o envio do Espírito Santo é a reunião entre o Pai e o Filho. Desta maneira, a união entre o Pai e o Filho nos aparece como um único principio de espiração na linha da economia. Assim, receber o Espírito Santo é seguir o caminho de Jesus, pois o Pai e o Filho entregam o Espírito como dom ao mundo redimido e este expressa a unidade essencial da Trindade de forma quenótica no processo de economia da salvação. Entretanto, é do pensamento de São Paulo que nos vem a visão da quenose do Espírito Santo mais profunda. Em sua teologia, o envio do Espírito e a Ressurreição de Jesus são apresentados como um movimento único. O fato de o Pai ter ressuscitado o Filho por seu Espírito (Rm 8,11) mostra que o Espírito Santo é ao mesmo tempo instrumento da Ressurreição e meio no qual o Cristo ressuscitado penetra em um meio natural a Ele (1Tm 3,16; Rm 1,4) com o corpo pneumático (1 Cor 15,44-45) identificado com a realidade do Espírito. Esta identificação revela a natureza quenótica do Espírito Santo porque quem deseja viver segundo o Espírito deve seguir o Senhor segundo o Espírito (Gl 5,16.22s. 25). Nisto consiste a quenose do Espírito Santo: sendo Deus, faz-se presente em nosso limitado coração nos conduzindo nos caminhos do Crucificado- ressuscitado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

* Caso o comentário seja contrário a fé Católica, contrário a Tradição Católica será deletado.


Queria dizer que...

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.